“Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres.” Foi com este grito de guerra que mulheres representantes de várias organizações da sociedade civil, colectivos e movimentos feministas celebraram o lançamento do Programa Women’s Voice and Leadership (WVL–ALIADAS), implementado pelo CESC com o apoio do Governo do Canadá.

A cerimónia teve lugar no dia 10 de Julho, na Cidade de Maputo, e foi presidida pelo Secretário de Estado do Género e Acção Social, Abdul Razak Amuzá Esmail, em representação do Governo de Moçambique, e da Alta-Comissária do Canadá em Moçambique, Sara Nicholls.

 Picture2 - Aliadas

Picture1 - Aliadas

 

O Secretário de Estado do Género e Acção Social, espera que o WVL – ALIADAS seja um mecanismo de partilha de informação e colaboração, de modo a possibilitar uma gestão transparente e sustentável das organizações locais, bem como a eficácia das redes nacionais, por forma a influenciar a adopção de boas práticas no empoderamento da mulher e da rapariga.

Outrossim, Abdul Razak Amuzá Esmail entende que o programa deve contribuir na identificação e melhor percepção dos fenómenos nocivos ao desenvolvimento das mulheres e para a identificação, de forma participativa, de respostas às diferentes preocupações da sociedade.

 

Já a Alta-Comissária do Canadá em Moçambique reafirmou o compromisso do seu país de apoiar a igualdade de género e o empoderamento das mulheres, pois considera ser esta uma das vias para a construção de um mundo mais pacífico, inclusivo e próspero. “Como parte dessa renovação, temos o prazer de reafirmar o nosso compromisso de trabalhar lado a lado com organizações locais de direitos das mulheres em todo Moçambique para continuar a criar espaços de advocacia coordenada.”

A diplomata olha para o WVL – ALIADAS como uma iniciativa que permite que as mulheres e raparigas, em toda a sua diversidade, estejam no centro dos esforços para reduzir a pobreza e a desigualdade, impulsionar o progresso em todos os sectores, incluindo a construção da paz, activismo ambiental, o empoderamento económico e a defesa dos direitos humanos.

Por isso, a continuidade deste programa renova a confiança e o reconhecimento do impacto positivo que tem na vida das mulheres. Ainda assim, reconheceu que, apesar das conquistas da primeira fase, a luta pela igualdade de género ainda está longe de terminar e garantiu que o Governo do Canadá continuará a oferecer apoio às organizações de direitos das mulheres e aos movimentos feministas, especialmente em contextos de crise e conflito, bem como à criação de espaços seguros para mulheres, raparigas e aliadas LBQTI+, onde estas podem expressar-se livremente, aceder a recursos e construir redes de apoio.

Falando sobre o passado e as perspectivas futuras do WVL – ALIADAS, Fidélia Chemane, Diretora Executiva do CESC, descreveu como motivo de orgulho os ganhos alcançados em cinco anos de implementação (2019/2024), entre os quais se destacam a criação da feira económica solidária; a promoção de acções de alívio ao trauma (implementadas em Cabo Delgado para mulheres em zonas de conflito armado); o apoio a mulheres deslocadas; as campanhas como a Humaniza Moz (contra a violência obstétrica) e Ntanvasse. “Hoje, cinco anos depois, estamos felizes por termos impulsionado iniciativas de lei, campanhas de advocacia e discursos concretos, como o Observatório do Feminicídio, entre outras acções realizadas de forma conjunta com as parceiras do ALIADAS”, afirmou.

Sobre as perspectivas desta etapa (2025 – 2030), Fidélia Chemane destacou que o WVL - ALIADAS manterá a ambição de continuar a apoiar a capacidade de gestão das organizações de mulheres, com foco no fortalecimento institucional, no estímulo a acções colaborativas e no estabelecimento de uma dinâmica feminista vibrante à escala nacional.

Picture3 - Aliadas

O programa estará igualmente atento à situação das mulheres no contexto do conflito armado em Cabo Delgado e irá tomar medidas para garantir que as mulheres, na sua diversidade e representação nacional, participem de forma engajada e que a sua voz seja ouvida nos processos de paz e resolução de conflitos a nível nacional.

“Estaremos atentos aos efeitos nefastos das mudanças climáticas, reconhecendo não ter ainda respostas definitivas, mas garantindo que continuaremos a trabalhar com todas as mulheres para formar uma sociedade baseada em relações de género igualitárias”, concluiu.

A cerimónia incluiu um TocCast com o tema: “ALIADAS em Movimento: Caminhos Trilhados e Horizontes para o Futuro”. Sob a moderação da activista Alima Hussein Sauji, o debate contou com as seguintes oradoras, Olga Loforte, Directora Executiva da OPHENTA, que falou das estratégias feministas que se mostraram mais eficazes na experiência do programa WVL – ALIADAS; Cecília Khuni, da Associação de Mulheres Viúvas Teresa de Grigoline, que abordou as grandes transformações que o ALIADAS trouxe e como assegurar que essas conquistas sejam sustentados e ampliados neste novo ciclo; Tassiana Tomé, do CESC, que apresentou as prioridades para o novo ciclo do ALIADAS; Marta Roff, da Girl Move Academy, que elaborou sobre os temas que devem estar no centro da agenda feminista; e Seana Daud, Directora Nacional do Género, que falou das prioridades do Governo em matérias de género que devem estar integradas no ALIADAS.

Picture4 - Aliadas

O WVL–ALIADAS é uma iniciativa implementada pelo CESC para a promoção e fortalecimento do movimento feminista, aumento da influência e da sustentabilidade de organizações ou colectivos liderados por mulheres a nível nacional. A primeira fase (2019–2024) financiou 57 organizações feministas que actuam em áreas como direitos sexuais e reprodutivos, violência baseada no género, liderança política de mulheres e justiça económica, elevando o seu papel na formulação de políticas públicas e visibilizando as vozes de mulheres marginalizadas.

Picture5 - Aliadas

A continuidade do programa (2025–2030) representa o compromisso do CESC e do Governo do Canadá com a liderança das mulheres enquanto elemento central para a construção de sociedades justas, resilientes e inclusivas. Introduz melhorias inspiradas nas licções aprendidas na primeira fase e consolida o compromisso com um feminismo interseccional, enraizado nas realidades locais. Aposta também na descentralização do movimento feminista, no fortalecimento de lideranças jovens e locais e na inclusão de grupos historicamente marginalizados, como mulheres com deficiência, pessoas LBQTI+ e defensoras de direitos humanos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Newsletter

Parceiros financiadores:

canada-logo 2  .oie gqSWlk2X3IsB  swissDepartament of    Pestaloze  472ced236bfc37a84aecbb01d1f2b934Visao mundial GIZ  USADA

scamscamscamscamscamscamscamscamscamscamscamscamscamscam