
Duas histórias inspiradoras das moçambicanas Quibibi Faquihe Buana e Maria de Lurdes estão em destaque no Festival Internacional de Fotografia “Photoville”, que abriu no último sábado em Brooklyn, Nova Iorque, como parte das celebrações dos 25 anos da Agenda Mulheres, Paz e Segurança, estabelecida pela Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas como marco fundamental para a promoção dos direitos das mulheres e da sua participação activa na prevenção, gestão e resolução de conflitos, bem como na construção de uma paz duradoura.
Quibibi Faquihe Buana faz parte das mulheres deslocadas que vivem no centro de reassentamento de Marrocane, distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado. Ela beneficiou de acções de treinamento e advocacia promovidas pelo CESC e seus parceiros no âmbito da implementação do projecto de promoção da participação e liderança das mulheres e mulheres jovens nos processos de paz, segurança e recuperação em Moçambique (Elas por Elas).

Hoje, Quibibi Buana actua como facilitadora distrital da Agenda Mulheres, Paz e Segurança, no centro de reassentamento de Marrocane. Reconhecida como “sentinela da paz”, ela treina, engaja e mobiliza mulheres na prevenção da violência baseada no género e usa ferramentas móveis para reportar casos de violência.
“Ver outra mulher a erguer-se enche-me de orgulho. Entrar em sua casa e dar o mesmo apoio que eu recebi quando precisei é incrivelmente gratificante. Saber que sou uma mulher com poder de prevenir actos de violência e conflitos em minha comunidade me inspira a ajudar aquelas mulheres que se sentem no seu pior momento.”, reconhece.
Maria de Lurdes é outra “sentinela da paz” de Cabo Delgado cuja história também está em exibição nos Estados Unidos da América (EUA). Como líder da plataforma da sociedade civil do distrito de Montepuez, a “Mamã Maria”, como é localmente tratada, usa a sua experiência de “sentinela da paz” para capacitar mulheres a liderarem na tomada de decisões e na construção da paz, defendendo uma paz inclusiva em centros de reassentamento e comunidades afectadas pelo conflito armado em Cabo Delgado.
“Decidi trabalhar nesta área porque vi uma lacuna significativa: Não havia ninguém que defendesse as mulheres e como mereciam ser tratadas. Embora as mulheres estivessem presentes nas reuniões em que participei, elas sentiam-se impossibilitadas de manifestar-se devido ao medo de retaliação dos seus maridos.”, lembra.
Através da Associação Moçambicana de Educação Comunitária (AMEC), de que é fundadora, a “Mamã Lurdes” também lidera os esforços de base para prevenir o trabalho infantil, promover a coesão social e a resiliência ao recrutamento de jovens por grupos ligados ao extremismo violento e terrorismo.
Organizada pelo Departamento de Operações de Paz, Departamento de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, ONU Mulheres e o Fundo da Iniciativa Elsie, a exposição patente no Brooklyn Bridge Park vai até 22 de Junho.
Nos meses de Outubro e Novembro, a exposição estará patente na sede das Nações Unidas, no âmbito do Debate Aberto do Conselho de Segurança sobre Mulheres, Paz e Segurança. A mostra também será levada para missões de manutenção da paz seleccionadas e para a Semana da Paz de Genebra (por confirmar) e para Bruxelas, na União Europeia, em Novembro.

Para o CESC, a selecção de histórias das “sentinelas da paz” para exposição em palcos mundiais evidencia a importância da promoção da participação e da liderança das mulheres nos processos de paz, segurança e recuperação em Moçambique. E honra o trabalho desenvolvido no âmbito do projecto “Elas por Elas”, implementado por um consórcio de organizações da sociedade civil que integra o CESC, OPHENTA e IESE, em parceria com a ONU Mulheres e o Governo de Moçambique, e com o apoio financeiro do Governo do Reino da Noruega.




