Através de uma “Feira de Partilha de Conhecimento”, o CESC juntou esta quinta-feira, em Maputo, os parceiros do projecto “Promovendo a participação e liderança das mulheres e raparigas nos processos de paz, segurança e recuperação em Moçambique” para celebrar os resultados, trocar experiências e reflectir sobre as estratégias para consolidar os avanços alcançados durante os 20 meses de implementação da iniciativa. Além de celebrar os resultados, a Feira também serve para assinalar a passagem dos 25 anos da Resolução1.325 das Nações Unidas, sob o lema “Quando as Mulheres Lideram, a Paz Acontece”.
Uma frase bastante apelativa e que evidencia a importância da participação e liderança das mulheres nos processos de paz. E é justamente isso que o projecto também conhecido por “Elas por Elas” promoveu nos distritos Chiúre, Ancuabe e Montepuez, em Cabo Delgado; Nhamatanda, Cheringoma e Chibabava, em Sofala; Meconta, em Nampula; e Báruè, em Manica. Financiado pelo Governo do Reino da Noruega e implementado pela ONU Mulheres em parceria com o Ministério do Trabalho, Género e Acção Social e um consórcio de organizações da sociedade civil (OPHENTA,IESE, LEMUSICA, GAMPIS, HIKONE e ??? - ?????????? ?????), o “Elas por Elas” alcançou resultados significativos ao promover a participação activa das mulheres na construção da paz, segurança e no desenvolvimento sustentável, impactando na vida de milhares de mulheres e raparigas residentes nas áreas de implementação.
Como sublinhou Paula Monjane, Directora Executiva do CESC, o “Elas por Elas” representa o compromisso das parceiras com a Agenda Mulheres, Paz e Segurança. “O trabalho conjunto das parceiras permitiu a criação de redes de mulheres que, nas suas comunidades, promovem reflexões sobre a participação e liderança das mulheres nos espaços de tomada de decisões; prestam apoio psicológico às vítimas de violência baseada no género, num acto de solidariedade e de cuidados entre as mulheres; reportam casos de uniões prematuras e levam as preocupações das mulheres e raparigas às lideranças comunitárias e do Governo”, explicou Paula Monjane, no discurso inaugural da Feira. Cerca de 8.000 pessoas, incluindo 6.345 mulheres e raparigas, foram alcançadas pelas campanhas locais porta-a-porta, diálogos comunitários e sessões de formação conduzidas por uma rede de 240 mulheres‘ sentinelas da paz’ e 17 ‘campeões da paz’, contribuindo para a construção da paz a nível local.
O “Elas por Elas” criou 55 ‘espaços seguros amigos das mulheres’ que funcionam como refúgios seguros onde as mulheres podem encontrar assistência, trocar experiências e aceder a serviços, recursos e informações essenciais. Cerca de 2.600 mulheres passaram por estes espaços. E para monitorar a participação das mulheres e a inclusão das perspectivas de género nas negociações de paz, na planificação humanitária, nas operações de manutenção da paz e na governação pós-conflito, o projecto treinou as mulheres “sentinelas da paz” sobre o uso do Cartão de Pontuação Comunitária (CPC). Trata-se de uma ferramenta de avaliação do acesso e qualidade dos serviços públicos que agora foi adaptada para monitorar e avaliar a Agenda Mulheres, Paz e Segurança.
O empoderamento das mulheres e raparigas foi outra componente deste projecto. Mais de mil raparigas foram treinadas em áreas profissionais, como avicultura, horticultura, construção civil, apicultura e culinária, sendo que 80% conseguiram estágios em empresas locais. Mais de seis mil mulheres directamente afectadas pelo conflito tiveram acesso a programas de literacia financeira e grupos de poupança comunitária, fortalecendo a sua autonomia económica. Além das organizações da sociedade civil parceiras, a Feira de Partilha de Conhecimento do “Elas por Elas” contou com a participação de mulheres e raparigas beneficiárias das intervenções do projecto e de representantes da ONU Mulheres Moçambique, da UNICEF, da Embaixada do Ruanda, da Embaixada do Canadá, da Embaixada da Finlândia, da Embaixada da Suécia, da Embaixada do Reino da Noruega, da Embaixada da Alemanha e do Governo de Moçambique.